Dia 20 de março, o IBEDESS promoveu o seminário “Cenário Profissional da Enfermagem: Presente e Futuro”, na Associação Médica de Minas Gerais – AMMG. Durante o evento, foram analisados os desafios enfrentados pelos profissionais de enfermagem e o setor hospitalar, considerando diferentes aspectos como: qualificação, remuneração, absenteísmo, formação acadêmica, mudança no modelo assistencial e qualidade de trabalho.
A abertura do evento, que contou com a presença de 80 profissionais da saúde (gestores, enfermeiros e técnicos ) e estudantes de enfermagem, foi realizada pelo presidente da Associação Médica de Minas Gerais – AMMG, o médico Lincoln Lopes Ferreira. Segundo ele, Belo Horizonte possui o segundo corpo clínico do país em quantidade e é referência nacional e internacional em qualidade, o que torna a capital mineira favorável ao turismo de saúde e à crescente demanda de atendimentos em diversas especialidades. Desta forma, manter profissionais capacitados e preparados para garantir um atendimento de excelência é vital para as instituições. De acordo com Lincoln, o debate promovido vai ao encontro dos interesses de todo o setor de saúde, na busca por soluções para os desafios que se apresentam.
O Seminário também contou com a participação do Secretário Municipal Adjunto de Trabalho e Emprego, Ayres Mascarenhas, que apresentou dados importantes sobre o mercado de trabalho em Belo Horizonte. Ele afirma que grande parte dos empregadores mineiros queixa da falta de mão de obra e solicita mais qualificação para os profissionais. No entanto, segundo ele, há um elevado contingente de pessoas procurando uma colocação. Conforme o banco de dados do SINE existem 216. 899 pessoas na condição de desempregadas. Quanto à qualificação, ele explica que, em 2011, a Prefeitura de BH disponibilizou 92.383 vagas para cursos, a maioria gratuitos. No entanto, apenas 13% das pessoas encaminhadas pelo SINE ao mercado de trabalho foram efetivamente inseridas.
O presidente do IBEDESS, Virgílio Baião Carneiro, esclareceu que a empresa hospitalar, seja pública ou privada, é uma instituição altamente complexa, cujo produto (serviços e tratamentos) depende em larga medida da capacitação e da gestão de pessoas. “O aumento da complexidade dos hospitais puxou uma maior exigência na capacitação e gestão do seu RH. Entretanto, esta maior exigência não foi acompanhada na mesma proporção por melhores salários. Neste sentido, o RH do hospital se superpõe com outros setores da economia, inclusive da informal”, explica Virgílio. Segundo ele, na região metropolitana de BH, com o aquecimento da economia do país, temos dificuldades com a seleção e fixação do RH dos hospitais. A rotatividade de profissionais está por volta de 12,9% e o absenteísmo chega a números de 2,6%, situação que pode ser agravada com a execução de 20 projetos em estudo para construção de leitos na capital de MG, cerca de duas mil novas unidades.
A apresentação do presidente da Associação de Hospitais de Minas Gerais – AHMG, Reginaldo Teófanes, reafirmou os dados expostos, esclarecendo ainda sobre a difícil tarefa do setor de Recursos Humanos na contratação de profissionais, além da alta rotatividade e o elevado número de enfermeiros assumindo a função de técnicos de enfermagem e aceitando menores salários. Dentre os motivos listados se encontram: preferência dos profissionais por ocupação que garanta mais segurança, como os concursos públicos; falta de experiência; falta de formação profissional adequada; má “escolaridade” formal; falta de perfil para a função e falta de referência do empregador.
Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais - COREN, Rubens Schroder Sobrinho, é preciso rever vários dilemas enfrentados pela enfermagem, sendo os mais alarmantes: a jornada de trabalho e a qualidade do ambiente de trabalho. Para Rubens, é preciso resgatar a função primordial e específica da enfermagem: “Assistir o ser humano (doente ou sadio), contribuindo para promoção, proteção, recuperação da saúde e reabilitação”, afirma. De acordo com os dados apresentados pelo enfermeiro, estão cadastrados no COREN 34.799 enfermeiros, 76.103 técnicos de enfermagem e 34.944 auxiliares de enfermagem. O presidente do COREN também citou o Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem (Profae) que representa, desde 2000, a principal política do Ministério da Saúde (MS) voltada para a qualificação da força de trabalho do setor. Sobre a publicação, o enfermeiro ressalta: “É de aproximadamente 225 mil o número de trabalhadores que atuam no Sistema Nacional de Saúde e não têm a qualificação necessária para o exercício da profissão na área da enfermagem. Falta, a 18 por cento desses trabalhadores, concluir o ensino fundamental, que é pré-requisito para o curso de qualificação profissional. Outro fato que agrava ainda mais esse quadro é o grande número de atendentes de enfermagem que atua sem a devida formação. É desviado para os serviços de enfermagem, depois de admitido para as funções administrativas, acarretando o exercício ilegal da profissão” (MS, 2002a, p. 8-9).
Outro tema abordado refere-se a formação acadêmica dos profissionais que, de acordo com Erlom Campelo, Diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa – IEP da Santa Casa de Belo Horizonte, forma cada vez mais profissionais generalistas, enquanto o mercado de trabalho atual exige profissionais especialistas, com alto nível de conhecimento técnico e científico. Desta forma, torna-se primordial o debate com as escolas, para discussão do modelo proposto na grade curricular dos enfermeiros e técnicos de enfermagem. Conforme apresentado, atualmente no Brasil existem 948 cursos de graduação em enfermagem credenciados pelo MEC(2012). No estado de MG existem 109, sendo 18 em BH.
Como última apresentação, o IBEDESS propôs uma leitura do setor de enfermagem em outros países. José Augusto Ferreira, presidente da Federação Nacional das Cooperativas Médicas – FENCOM, trouxe dados interessantes sobre a forma de atuação do profissional de enfermagem em Portugal, enfatizando a importância da tecnologia no auxilio às atividades destes profissionais. Para finalizar o Seminário, Cesar Vieira, consultor técnico do IBEDESS, coordenou o debate. A expectativa é que a partir deste evento surjam propostas para a melhoria das questões apresentadas, incluindo a ampliação do diálogo junto às instituições de ensino, revisão da jornada de trabalho e possibilidades de investimentos na estrutura hospitalar com apoio tecnológico e melhoria da qualidade.
Foto: Presidente doIBEDESS, Virgílio Baião Carneiro.
Jornalista Daniela Colen
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